No
último dia 19 de outubro o nosso querido Vinícius de Moraes completaria - se vivo
estivesse – 100 anos de idade.
Várias
comemorações aconteceram, de maneira justa, mas, acredito que não foram as
músicas e poemas que o poetinha nos deixou como herança mais relevante. Na
minha humilde opinião acredito que o “branco mais preto” tenha nos deixado o
espírito despojado e sábio, uma grande marca registrada do carioca.
Faço
questão abordar este ponto tendo em vista que o Vinícius quebrou o estereótipo
do “menino-burguês-da-gávea-que-se-torna-diplomata-e-só-escuta-música-clássica”.
Pelo contrário. A paixão pela história do Brasil e da cultura afro o fez
abandonar a promissora carreira da diplomacia e adentrar para vida da arte.
Pronto!
Inicia-se, então, a quebra do gelo social facultando a pessoas do seu mesmo
nicho apreciarem a música “popular”, não ficando mais adstritos a norma “culta”
daquela época. Além disso, Vinícius demonstrou que pessoas “estudadas” podem
ter papos descontraídos – sem culpa - sobre futebol, mulher, religião etc.
Assim,
tendo em vista essa quebra de paradigmas, começamos a entender melhor o
espírito sério-despojado que o carioca faz questão de ostentar – inclusive –
quando sai do RJ. Tudo bem que a admiração pelo carioca também englobam fatores
políticos e midiáticos. Mas o Vinícius foi o marco teórico de que o carioca
consegue, naturalmente, agir de maneira híbrida com as questões cotidianas,
inclusive no trabalho (http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u104694.shtml).
Enfim,
como admirador da arte e da antropologia, gostaria de deixar registrado por
aqui o meu agradecimento pela sua existência e ter deixado o seu recado por
meio do seu lirismo tão popular e sem barreiras sociais.
“Existiria verdade, verdade que ninguém vê,
se todos fossem no mundo iguais a você.”

