segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Poeta, poetinha, camarada!


No último dia 19 de outubro o nosso querido Vinícius de Moraes completaria - se vivo estivesse – 100 anos de idade.

Várias comemorações aconteceram, de maneira justa, mas, acredito que não foram as músicas e poemas que o poetinha nos deixou como herança mais relevante. Na minha humilde opinião acredito que o “branco mais preto” tenha nos deixado o espírito despojado e sábio, uma grande marca registrada do carioca.

Faço questão abordar este ponto tendo em vista que o Vinícius quebrou o estereótipo do “menino-burguês-da-gávea-que-se-torna-diplomata-e-só-escuta-música-clássica”. Pelo contrário. A paixão pela história do Brasil e da cultura afro o fez abandonar a promissora carreira da diplomacia e adentrar para vida da arte.

Pronto! Inicia-se, então, a quebra do gelo social facultando a pessoas do seu mesmo nicho apreciarem a música “popular”, não ficando mais adstritos a norma “culta” daquela época. Além disso, Vinícius demonstrou que pessoas “estudadas” podem ter papos descontraídos – sem culpa - sobre futebol, mulher, religião etc.

Assim, tendo em vista essa quebra de paradigmas, começamos a entender melhor o espírito sério-despojado que o carioca faz questão de ostentar – inclusive – quando sai do RJ. Tudo bem que a admiração pelo carioca também englobam fatores políticos e midiáticos. Mas o Vinícius foi o marco teórico de que o carioca consegue, naturalmente, agir de maneira híbrida com as questões cotidianas, inclusive no trabalho (http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u104694.shtml).

Enfim, como admirador da arte e da antropologia, gostaria de deixar registrado por aqui o meu agradecimento pela sua existência e ter deixado o seu recado por meio do seu lirismo tão popular e sem barreiras sociais.

Existiria verdade, verdade que ninguém vê, se todos fossem no mundo iguais a você.